Ao rasgar da saudade
Vim a aperceber-me
Que trato como prioridade
Quem me trata como opção.
E o porquê desta sobriedade
Se sentir uma mutilação.
Se no culminar da ociosidade
E a fragrância desta estação
Se entranha na humanidade
Por vias do coração?
Porra!
Do terraço voaste
E um pedaço de alma
Contigo levaste.
Em bicos de pés,
Sobre o mar fiquei
Sem tempo nem idade
Sobre o gelo sarei.
Morreste?
1 comentário:
aguarela
é quase noite de um dia dormente
a janela aberta dá para o mar inquieto
caído sobre a mesa enferrujada
abres o peito ao frio como único bálsamo possível
és novo mas
o mar secou-te o coração e
os teus lábios segregam o ruído estéril das gaivotas
a tua mão direita percorre as palavras que choraste e
cada lágrima é tão inútil quanto a caneta que sangras e
cada gota de tinta tão negra quanto as ondas
ao quebrarem-se
a tua mão esquerda ajeita o candeeiro de inox
acaricia em sonhos o corpo que outrora fora teu e
ao apertares o aço frio recordas-te dela
sol que o mar levou
ficando só umas manchas de cor
na tua tela perdidas
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